O levantamento ouviu 1,5 mil pessoas com 16 anos ou mais, de todas as regiões do país, em abril deste ano, e traça um panorama sobre a percepção da sociedade em relação à violência doméstica duas décadas após a criação da Lei Maria da Penha. Segundo a diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Vera Vieira, os dados refletem a persistência da violência de gênero no Brasil. Em 2025, a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) registrou mais de 1 milhão de atendimentos, um aumento de 45% em relação ao ano anterior, além de 155 mil denúncias de violência, média de 425 casos por dia.
Violência psicológica lidera relatos
A violência psicológica aparece como a forma de agressão mais frequente, mencionada por 42% das mulheres que sofreram violência. Em seguida estão os casos de violência física, citados por 25% das entrevistadas. Para 77% das mulheres, muitos homens ainda não reconhecem determinadas atitudes como violência, enquanto 82% avaliam que eles costumam se omitir diante de comportamentos abusivos praticados por outros homens.
A sensação de impunidade é apontada como o principal obstáculo para denunciar a violência doméstica, citada por 56% das entrevistadas. Outros 39% mencionam a demora da Justiça na condução dos processos. Quando presenciam casos de agressão, as mulheres afirmam que acionariam a polícia ou autoridades com maior frequência, enquanto os homens tendem a optar pela intervenção direta.
Lei Maria da Penha é conhecida, mas considerada insuficiente
A pesquisa mostra que a Lei Maria da Penha é amplamente conhecida no país. Metade das brasileiras afirma conhecer bem a legislação, e 88% sabem que ela prevê punições para casos de violência física. Apesar disso, 82% consideram que a lei, sozinha, não é suficiente para enfrentar o problema da violência doméstica.
Sete em cada dez mulheres acreditam que a legislação trouxe impactos positivos para a proteção das vítimas, e 54% dizem se sentir mais seguras com sua existência. No entanto, o estudo aponta que ainda há desconhecimento sobre outros mecanismos previstos na norma: apenas 46% das entrevistadas sabem que a violência patrimonial também é contemplada pela lei, e 38% conhecem as medidas de proteção patrimonial.
Para os responsáveis pelo levantamento, os resultados indicam que, embora a Lei Maria da Penha tenha consolidado avanços importantes no combate à violência contra a mulher, a superação do problema depende de ações articuladas entre o poder público, o sistema de Justiça e a sociedade para enfrentar comportamentos que ainda normalizam diferentes formas de violência.
Fonte: Metro 1


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